Respira. O dia amanhã é novo.
Respira. Hoje já acabou. O sol caiu ao som das lágrimas, a lua subiu desfocada como sempre, mas já é noite. O dia acabou.
Respira, que amanhã há mais.
Há a ausência, há o silêncio, há a falta.
Respira, que o dia é outro no calendário, mas em ti o tempo não passa.
Respira, que o ar que tanto te custa a entrar no peito é o que ainda por cá te prende.
Respira, para que o sangue te corra nas veias, para que o coração bata, para que não morras.
Respira, porque a coragem precisa de ar, porque o desespero precisa de ar, porque a vida precisa de ar.
Respira, para que haja amanhã, porquê não sei.
Respira, porque ainda não foi este o dia, não foi esta a hora, nem há-de ser esta a vida.
Respira, porque amanhã terás que sorrir, que fazer, que fingir, que contar, que falar.
Respira, porque os há que contam contigo, sempre, sem saberem, que o ar te falta, que os sonhos te morreram, que a vida te abandonou.
Respira porque amanhã é dia, porque ele não está cá.
Respira porque é preciso que o faças, para que não saibam, para que não o mostres, para que seja sempre segredo o quanto te custa.
Respira porque é preciso.